Miolo Reserva: novos por dentro e por fora

Com 30 anos no mercado, a mais tradicional linha de vinhos da Miolo acaba de passar por um processo de modernização. A transformação é visível na identidade, agora mais sofisticada, mas também nos próprios vinhos diante do resultado da Safra 2018. Outra novidade é o lançamento do Miolo Reserva Syrah, feito no Vale do São Francisco, disponível ainda este mês. Quem ganha é o consumidor que já a partir de maio pode apreciar esta evolução com o relançamento da linha composta por vinhos de alta qualidade e com excelente custo-benefício para o dia a dia.

A mudança começa pelo rótulo que passa a exibir uma identidade moderna e ao mesmo tempo sóbria e luxuosa. “Depois de uma série de novos lançamentos e novos rótulos super premium e ultra premium, chegou a vez de incrementar e reapresentar a linha Reserva, a mais tradicional da Miolo, que iniciou com o Reserva Merlot Safra 1990”, destaca o diretor superintendente da empresa, Adriano Miolo.

O lançamento Miolo Reserva Syrah é único com uvas cultivadas nos vinhedos próprios da vinícola Terranova, na Bahia. Além deste, a linha possui outros oito rótulos, sendo cinco tintos (Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Merlot, Tannat e Pinot Noir) e três brancos (Chardonnay, Pinot Grigio e Sauvignon Blanc), estes produzidos na vinícola Seival Estate, Campanha Meridional (RS). A Linha foi criada para destacar a expressão máxima de cada variedade de uva. Para isso, a elaboração leva em conta cada particularidade, tudo para colocar no mercado vinhos mais elaborados, dentro da tradicional categoria Reserva, uma escolha segura para consumidores que buscam opções de qualidade na faixa de R$ 50.

Com a troca da roupagem, a Linha Reserva também incorpora no contra rótulo de seus vinhos o Selo da The Vegan Society, que certifica os produtos como 100% veganos e livres de alergênicos, mais um diferencial da marca que acompanha as tendências de consumo e o novo comportamento dos consumidores.

Miolo - Reserva 2020

Miolo Reserva Syrah

De coloração violácea profunda, este vinho traz aromas de frutas vermelhas maduras como ameixa. Sua complexidade ganha nuances de defumado e especiarias, principalmente pimenta preta. Redondo com tanino persistente e baixa acidez. Um vinho de média estrutura e intensa presença em boca. Ideal ser degustado com temperatura entre 16ºC e 18ºC.

Quantas calorias tem um vinho?

A conta é um pouco complicada, mas é possível saber. Vejamos: uma taça de 150 ml pode ter de 100 a 300 calorias em média. Sim, essa variação é grande pois depende do tipo da bebida. Um tinto de 12% de volume de álcool deve ter aproximadamente 175 calorias. Vale lembrar que a maior parte do valor energético vem do álcool, com 7 calorias por grama. Outra grande parte é devida ao açúcar residual da uva, cerca de 4 calorias por grama. Ou seja, vinhos doces e com alto teor de alcoólico, como os Vinhos do Porto, por exemplo, são bem mais calóricos do que um branco seco de baixa graduação de álcool.

Quer um cálculo mais preciso? É preciso levar em consideração o tamanho da taça (em gramas) e multiplicar esse número pela porcentagem de álcool da bebida e depois ainda fazer isso vezes sete. Essa parte da conta revela apenas as calorias do álcool. A elas devem ser somadas as calorias dos carboidratos (açúcares), que são dadas pelo grau de açúcar multiplicado pelo tamanho da taça (em litros) vezes quatro. Descobrir o grau de açúcar de um vinho, porém, não é tarefa tão simples.

Enfim, o vinho (assim como nenhuma outra bebida alcoólica) não é de baixo teor calórico, portanto, uma garrafa tem em média 700 calorias.

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Qual a relação entre a cavidade do fundo da garrafa e a qualidade do vinho?

Os mitos em torno da cavidade inferior da garrafa de vinho são diversos. Um dos que mais prosperou até hoje diz que quanto mais funda e côncava, melhor a qualidade da bebida. A explicação para isso estaria no fato de os grandes vinhos, com o tempo, produzirem borra e essa reentrância no vidro serviria para que os sedimentos lá se depositassem. Mas, por mais romântica que seja essa lenda, ela não se sustenta.

A cavidade no fundo das garrafas de vinho até hoje é um assunto controverso e inconclusivo. Há diversas teorias em torno do porquê de ela existir – indo desde a facilidade para executar o serviço de vinho até a ilusão de ótica para parecer que há mais líquido no interior do que realmente há – mas as mais plausíveis estão relacionadas às origens do processo de produção das garrafas de vidro.

A explicação mais aceita para a existência da cavidade no fundo é que ela tenha sido formada, originalmente, quando as garrafas ainda eram feitas com a técnica de sopro do vidro quente. Enquanto alguém soprava e trabalhava a massa de vidro, a peça era segurada por um pontil – uma haste de metal de formato convexo – pela base e isso então criava a reentrância.

Não se sabe se essa cavidade tinha alguma função específica na época, além de ser apenas resultado da forma como o vidro era trabalhado. No entanto, há quem cogite a hipótese de que essa reentrância ajudaria as garrafas antigas, cujos formatos podiam variar bastante, a ficarem de pé. Apesar disso, nesta mesma linha, há uma teoria um pouco mais crível, de que essa cavidade era feita para aumentar a capacidade do vidro de suportar a pressão interna do líquido.

Ou seja, nesse sentido, quem teria “inventado” essa concavidade no fundo das garrafas teria sido os espumantes, talvez os Champagnes tão apreciados pelos ingleses, que foram os primeiros a desenvolver garrafas de vidro em escala comercial. Assim, a cavidade serviria para aumentar a resistência do vidro, graças ao aumento da superfície de contato da bebida sob pressão. Isso também diminuiria a ressonância do vidro e, portanto, a chance de quebra durante o transporte.

A técnica de fabricação das garrafas evoluiu muito nos últimos anos fazendo com que essa cavidade não seja necessária para que o vidro suporte a pressão – há diversos modelos no mercado atualmente com fundo liso, inclusive espumantes e Champagnes. No entanto, por que essa reentrância continua sendo quase uma regra para as garrafas de vinho?

E por que há garrafas em que essa concavidade é mais pronunciada do que outras? A resposta definitivamente não passa pela qualidade do vinho e provavelmente está no formato da garrafa, e em sua resistência física. Quanto maior a concavidade, maior a resistência física da garrafa.

Faça você um teste, veja a concavidade das garrafas, e verás que quanto maior a concavidade, mais grosso é a espessura do vidro, e de maior peso é a garrafa, tornando-a mais resistente. E normalmente, vinhos de guarda, utilizam essas garrafas, pois precisam resistir ao tempo…. Portanto, qualidade e concavidade apresentam uma relação indireta, pois um vinho longevo, necessita de uma garrafa de maior resistência..

Enfim, as histórias são muitas, mas a explicação é resistência física da garrafa!

Para Que Serve a Cavidade do Fundo da Garrafa de Vinho?

Apesar de existir certo padrão de produção, as garrafas podem variar de formato. O que não pode variar, segundo as leis, é a quantidade de líquido dentro delas.

A rolha quebrou, e agora?

Às vezes uma rolha pode se quebrar quando está sendo retirada, e metade dela fica dentro da garrafa. Se o pedaço for relativamente grande, tente retirá-lo com o saca-rolhas. Pode-se inseri-lo novamente e refazer o processo de retirada, ou posicioná-lo a um ângulo de 45 graus e alavancar a rolha para fora.

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Para um pedaço menor, contudo, é bem mais difícil inserir a hélice do saca-rolhas, o mais simples é empurrar a rolha para dentro da garrafa. Se empurrarmos a rolha para dentro do vinho e ela estiver intacta, podemos prende-la com um espeto comprido e derramar o vinho dentro de um decanter ou jarra. Outra alternativa é utilizar uma pinça salva rolhas para sacá-la de dentro da garrafa. Se a rolha se despedaçar podemos decantá-lo para garantir que os pedaços não caiam na taça.

Saca Rolhas: um utensílio indispensável

Para alguns, o saca-rolhas ainda hoje é um instrumento que intimida, que inibe uma relação com o vinho. Mas já foi muito pior, quando havia apenas um tipo, aquele com a espiral de metal em um suporte básico no qual é preciso de técnica e força para retirar a rolha sem quebrá-la. Atualmente, porém, a indústria facilitou e muito a vida dos enófilos, criando saca-rolhas modernos em que simplesmente não se faz esforço algum para abrir uma garrafa.

A infinidade de modelos é incrível. Baseados em princípios de mecânica simples, como alavancas, eles possuem inúmeros designs, mas a finalidade é sempre a mesma: ajudá-lo a liberar o líquido cuidadosamente guardado por aquele vedante de cortiça.

Atualmente, fala-se em seis tipos básicos: o tradicional, o de sommelier (dois estágios), o “borboleta”, o “coelho”, o de mesa, o elétrico, o de pinça e o de pressão. Apesar de teoricamente servirem para o mesmo fim, cada um pode servir para uma ocasião diferente.

A primeira patente de saca-rolhas foi registrada em 1795, na Inglaterra, pelo Reverendo Samuel Henshall. Esse primeiro registro, porém, foi seguido por muitos outros, na França, Estados Unidos, Alemanha e Canadá, por exemplo. Os modelos iniciais eram em forma de “T”, com uma espiral para ser introduzida na rolha e uma base de apoio a ser segurada para puxá-la. Mais tarde, já nos idos de 1850, surgiram os saca-rolhas de alavanca, que reduziram significativamente o esforço da extração da rolha.

Na minha opinião, o melhor modelo é de Sommelier, também conhecido como dois estágios. Este é o modelo que está nas mãos de todos os garçons e sommeliers nos restaurantes, daí o nome. Ele mantém basicamente o mesmo formato do tradicional, porém com a adição de um suporte que forma uma alavanca para facilitar a retirada da rolha. Antes, essa alavanca tinha apenas uma base de apoio, hoje, a maioria deles vêm com dois estágios. Basta inserir a espiral na rolha (sem atravessá-la), ajustar o suporte no gargalo e fazer força usando a base apoiada como alavanca. É o abridor mais confiável de todos.

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Quando um vinho deve ser decantado?

Um dos assuntos que causam muitas dúvidas em relação à degustação de vinhos é a real necessidade do uso do decanter. Afinal, qual a função e quando devemos decantar um vinho?

Decantar é o ato de despejar vinho da garrafa em outro recipiente, normalmente de vidro, chamado decanter. A decantação é uma operação que se faz necessária quando precisamos separar o vinho de eventuais sedimentos, comumente encontrados em garrafas de vinho tinto que foram submetidas a um longo período de envelhecimento.

A tradição de decantar vem do tempo em que os vinhos em tonéis nas adegas eram despejados em jarras e, mais tarde, quando os vinicultores deixavam um depósito na garrafa. Então tinha sentido separar o vinho desse depósito, despejando o vinho no decantador para que pudesse ser bebido sem a interferência desses sedimentos. Hoje, ainda faz sentido decantar aqueles poucos vinhos que criaram muitos sedimentos, na condição que estejam suficientemente robustos para suportar o processo.

Por muito tempo, pensava-se que despejar o vinho em um decantador, provocaria uma aeração do vinho, e de que alguma forma abreviaria o processo de envelhecimento para poucos minutos, pelo contato do vinho com muito ar, e assim, o buquê se abriria graças a todo esse oxigênio. Essa visão ainda é amplamente aceita, mas há suspeitas de que resultados de amostras comparativas de degustações dos mesmos vinhos abertos e decantados em intervalos variados antes de ser degustados foram inconclusivos.

É comum, enófilos dizerem que alguns vinhos, especialmente os tintos mais baratos, ficarem melhores após deixarem esses vinhos “respirando” por algumas horas. Na verdade, isso pode não ter relação com a aeração, uma explicação mais plausível seria a volatilização de odores indesejados após a abertura do vinho.

Claro que, a desvantagem potencial de dissipar o buquê de um vinho ao decanta-lo ou deixar uma garrafa pela metade aberta por um tempo, pode, às vezes, ser uma vantagem. Alguns vinhos, principalmente os tintos mais encorpados e com potencial de guarda, com a decantação, podem fazer com que percam um pouco da agressividade de sua juventude e tornem-se vinhos mais palatáveis.

De modo geral, deveríamos apenas decantar os vinhos tintos submetidos a longos períodos de envelhecimento, para separar o vinho dos sedimentos. Portanto o que vai determinar se um vinho precisa ser decantado é a simples avaliação da existência de sedimentos no fundo da garrafa, que pode ser feita colocando-a contra a luz ou sob uma vela.

Sendo assim, outros estilos de vinhos tintos são aconselháveis servir diretamente na garrafa. De fato, o decanter tem uma base muito larga que permite uma intensa oxidação, e essa seria prejudicial à maioria dos vinhos jovens, a menos que se deseje intervir em um vinho ainda “fechado” do ponto de visto olfativo. No entanto, ressalta-se que, o vinho tinto jovem servido em uma taça de bojo largo permite uma aeração que seria tão funcional quanto o decanter, ou até mais efetiva com a agitação da taça.

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ABE homenageia enólogos brasileiros com vídeo que reflete o momento vivido

As vinícolas brasileiras certamente nunca viveram um momento como este, em que o isolamento social é uma condição para o enfrentamento de um vírus que tomou conta do mundo. Ao mesmo tempo, nunca na história da vitivinicultura brasileira, se celebrou uma safra com tamanha qualidade. Para os enólogos do Brasil, um sonho realizado. Por acreditar que todos que são afastados sempre se reencontram, é que a Associação Brasileira de Enologia (ABE), com a participação de seus diretores, fez um vídeo que é uma verdadeira reflexão a ser feita por cada um, dentro e fora da taça, e que traz como tema central a persistência.

O presidente da ABE, enólogo Daniel Salvador, explica que a ideia foi encorajar as pessoas a manter a fé, a esperança e a serem persistentes. Segundo ele, são três atributos que os vinhateiros e enólogos do Brasil aprenderam safra após safra, quando todos diziam que a vitivinicultura brasileira seria uma perda de tempo, um investimento sem volta. “Associamos estes dois aspectos – a brilhante colheita e o momento crítico – para incentivar o resgate social e econômico do vinho nacional a quem puder e preferir. E que todos possam brindar a vida”, ressalta.

Além de Daniel Salvador, também participaram do vídeo com suas próprias gravações os enólogos diretores Antonio Czarnobay, Daiane Badalotti, André Gasperin, Bruna Cristófoli, Edegar Scortegagna, André Larentis, Dirceu Scottá, Bruno Motter, Carlos Abarzúa e Felipe Bebber.De forma simples, mas com um texto potente, o roteiro foi desenvolvido pelo jornalista Janquiel Mesturini, da Conceitocom Brasil.

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Texto do vídeo

Na história do homem, tragédia e graça se sucederam muitas vezes.

E a esperança reside na certeza de que, sempre, sempre, há sol após cada tempestade.

E que todos que são afastados se reencontram.

Persista, para além do possível.

Nós persistimos, por décadas

Para elaborar grandes vinhos e espumantes.

Quando o clima não ajuda, nós persistimos.

E quando ele ajuda, nós nos deliciamos.

E isso mostra que após cada tempestade, o sol volta a brilhar.

E cada desafio encarado com persistência cria um vinhedo mais forte.

Nós somos os enólogos do Brasil.

Nós somos persistentes.

Agora, seja você também.

Porque amanhã, o sol voltará a brilhar.

E nós voltaremos a brindar, bem de perto.

Em 2020, vivemos a melhor safra de uvas da história do Brasil.

Quando nos reencontrarmos, para brindar bem de perto, teremos a certeza de que o nosso maior legado é a persistência e o amor por tudo aquilo que a natureza e a ação do homem são capazes de proporcionar.

Uma homenagem dos enólogos do Brasil a todos aqueles que trabalham, empreendem, salvam vidas e nunca perdem a esperança.